28/06/2009 - Saindo do ninho
Mudar de cidade, para se preparar em boas equipes e poder se profissionalizar no esporte, não é tarefa nada fácil na adolescência. Bruno Violani, 16 anos, deixou a família em Ribeirão Preto (interior paulista) para jogar no time de vôlei do Santander/São Bernardo. Desde janeiro, vive em um apartamento na cidade com outros garotos. "Está difícil ficar longe dos meus pais. Ainda estou me adaptando. Os meninos são minha nova família", conta.
A rotina é pesada. Além da saudade, é preciso organização e disposição para dar conta de treinos, competições e escola. Aliás, a escola tem de ser levada a sério por essa turma. Quem não tira boas notas, leva bronca e corre o risco de voltar para casa.
Bruno divide o quarto com Henrique da Costa, 16, de Guarulhos. Quando passou pela peneira (teste que seleciona a garotada) não tinha noção de que teria de se mudar. "Minha mãe ficou doida, chorava todo dia. No início, quando cheguei, foi legal. Depois, percebi como é bom ficar do lado da família."
Os garotos têm regras a cumprir. Como moram num condomínio, não podem fazer barulho depois das 22h. Chegar tarde só em dia de jogo. Também são responsáveis pela arrumação do próprio quarto. Apesar disso, é quase impossível não encontrar tênis espalhados e bagunça embaixo da cama.
VETERANOS - Bruno da Silva, 14, saiu de Nova Odessa (interior de São Paulo) com 11 anos. Veio para a Capital treinar no São Paulo Esporte Clube, onde ficou por dois anos. Uma semana após ter voltado para casa, surgiu a oportunidade de jogar no Esporte Clube Santo André. Há dois meses, mora no alojamento do time. "É um pouco chato ficar longe da família, mas meu sonho é ser jogador de futebol."
História parecida é a de Rian Pereira Serpa, 14, de São José dos Campos, que também treina no Santo André há dois meses. No ano passado, permaneceu cinco meses no Grêmio, no Rio Grande do Sul, mas não se adaptou ao frio. "Agora é melhor . Já estou acostumado.
DIVIDIDO ENTRE AS VANTAGENS E AS DESVANTAGENS
Muitos atletas famosos passaram pelo dilema de morar longe da família na adolescência. Jade Barbosa, 17 anos, um dos destaques da ginástica artística, foi viver em Curitiba com a equipe brasileira aos 13. Antes morava no Rio de Janeiro, onde nasceu e treinou durante a infância.
Jade conta que foi difícil ficar longe, principalmente do pai e do irmão (a mãe morreu quando a ginasta tinha 9 anos). Na sua opinião, viver sozinha tem uma parte boa e outra ruim. "Cresci muito na parte profissional, mas o lado familiar e o físico foram prejudicados", explica.
Atualmente, Jade está de volta à cidade natal devido a uma lesão no punho direito. No Rio, treina no Flamengo.
O psicólogo Paulo Tessarioli explica que é uma escolha. "Tem de saber o que perde e o que ganha com isso e arcar com a opção." Segundo ele, morar sozinho traz benefícios. "O adolescente ganha responsabilidade com pouca idade. Passa a ver a vida de outra forma." Mesmo à distância, a família pode se mostrar presente.
COM OS PAIS NA COREIA
Nenhuma dificuldade se compara à de quem está separado da família por continentes e oceanos. O sul-coreano Io Heng Kim, 14 anos (chamado de Alan no Brasil), está aqui há 11 meses. Fã de Kaká e Ronaldo, veio aprender as técnicas de futebol no Santo André.
Alan é um dos 20 garotos da Coreia do Sul que treinam no clube. Acompanhados por um responsável, que fala português, ele diz que, apesar de sentir falta dos pais e da comida do seu país, o esforço valerá à pena por causa da aprendizagem.
Yong Han Myong, 14, conhecido como Fábio, está aqui há dois anos e ainda não se acostumou com a comida brasileira nem com a velocidade da internet, considerada lenta. Quando a saudade da comida se torna grande demais, essa turma recorre a algum restaurante coreano de São Paulo.
