Codependência: a dependência de afeto
A codependência passou a ser estudada com mais atenção por volta da década de 1970. A partir do tratamento da dependência química foi constatado que não era só o dependente químico que precisava de ajuda, mas aqueles com os quais convivia também. O autocontrole e a fase de abstinência de drogas ou álcool eram desenvolvidos nas clínicas e hospitais especializados em dependência química. Porém, quando o dependente voltava ao convívio do seu núcleo familiar e social ele tinha sua primeira recaída. Descobriu-se, então, que a vida das pessoas que convivem com dependentes químicos é afetada de tal modo que elas passam a desenvolver comportamentos, atitudes e o amor com base no apego, deixando de viver suas próprias vidas e dependendo afetivamente destas pessoas, os dependentes químicos, daí o nome codependente.
Codependência é o mesmo que dependência de afeto. É importante perceber que este conhecimento esclarece algo tão difícil de se entender na prática: “Se a relação é ruim, não tem pé nem cabeça, por que é tão difícil de terminar?”, ou “Eu sei que não adianta falar e nem criticar, mas eu não consigo ficar quieta!”. Por analogia, o mesmo acontece com o dependente químico: o consumo de droga faz mal e, na maioria dos casos, o dependente não quer usar mais, mas acaba usando, mesmo com todos a sua volta falando e criticando.
“Mesmo que não exista dependência química no histórico familiar, qualquer pessoa pode desenvolver a dependência afetiva, pois a nossa cultura incute facilmente, na mente das pessoas, formas e maneiras de nos escravizarmos em nome do amor”.
Vale ressaltar: o amor também pode adoecer, trazer sérios problemas e em alguns casos levar até a morte. Entre os especialistas que tratam desta temática é comum ouvir a seguinte história: “Este tipo de relacionamento termina em três C’s – Clínica, Cadeia e Cemitério!”.
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